Questão de Tempo – A vida seria bem mais fácil se fosse igual
ao novo trabalho de Richard Curtis: meio doce, meio melancólica e absolutamente
sem conflitos. Essa é a sensação que o espectador fica ao final de Questão de Tempo.
Nada realmente abala a vida de Tim (Domhnall Gleeson) depois que ele descobre
que pode viajar no tempo. De cara, ele conquista a mulher dos seus sonhos (uma
insossa Rachel McAdams), casa com ela, tem filhos e evita uma tragédia aqui e
uma bobagem ali por causa de seus poderes. Depois de escrever os ótimos “Quatro
Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, os filmes da Bridget
Jones e dirigir “Simplesmente Amor”, Richard Curtis opta pela zona de conforto nesse
bonitinho novo trabalho. O filme passa leve e faz o espectador sorrir e se
emocionar algumas vezes, mas a comédia romântica é embalada em tom pastel e carece
de energia e charme graças a um roteiro acomodado e sem surpresas. Toda vez que algo
insinua abalar o mundo de Tim, ele vai lá, volta no tempo e pronto. Tudo é
muito fácil. Tudo é possível. Mas nada realmente empolga.
Álbum de Família – Filmes sobre famílias disfuncionais
não são novidades e são encontrados aos montes por aí (“As Filhas de Marvin”, “Terras
Perdidas” são alguns exemplos). Esse novo exemplar do “gênero” chama a atenção
logo de cara pelo desfile de rostos conhecidos e por ser uma adaptação de uma
peça teatral ganhadora de vários prêmios. Mas tirando o pedigree do elenco e do
texto, Álbum de
Família deixa a desejar graças a uma direção pesada (de um tal de John
Wells) e um roteiro burocrático (adaptado pelo próprio autor da peça). O longa
em si é uma grande discussão entre todos os membros de uma família reunida após
o sumiço do patriarca. Todos têm que lidar com algum segredo e convivem com dramas
pessoais prestes a explodir na próxima mesa de jantar. Meryl Streep balbucia ofensas de
um lado; Julia Roberts berra impropérios do outro. O espectador assiste a tudo
de camarote, mas sem grandes interesses. O resultado é um trabalho que traz
algumas cenas isoladas memoráveis em um conjunto mal amarrado e falho. Os atores estão
bem, mas a produção grita pretensão, e todos interpretam demais personagens que
poderiam ser gente como a gente se tudo não fosse tão planejado e ensaiado para
soar importante, grave e solene.terça-feira, 7 de janeiro de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Cinema: Carrie, a Estranha
Apesar de hoje em dia ser muito comum se falar da falta
de criatividade em Hollywood e da atual mania de remakes, as refilmagens sempre
fizeram parte da lógica do cinema desde quando ele começou a ser visto como
indústria. Para o bem e para o mal, os remakes existem e estão aí desde sempre.
Alguns bons, outros totalmente dispensáveis.
Infelizmente, a refilmagem de Carrie, A Estranha faz parte da segunda categoria. A nova releitura hollywoodiana do filme lançando em 1976 é vergonhosa, constrangimento em forma de cinema. Se o longa original praticamente lançou as carreiras de Sissy Spacek e do diretor Brian De Palma e colocou as obras do escritor Stephen King na rota das adaptações cinematográficas, a produção de Kimberly Peirce passa batida e vira mais um terror genérico, desses que não deixa nenhuma marca.
Extremamente mal dirigido e sem nenhuma sutileza, o que de certa forma é surpreendente (Peirce tem no currículo o ótimo “Meninos não Choram”), a nova versão de Carrie, A Estranha é um filme sem tensão ou nenhum impacto. A história é a mesma: menina estranha sofre bullying no colégio e tudo termina em tragédia. Nenhuma das alterações propostas pela nova versão acrescenta muito à mitologia construída pelo original de 1976. Assistimos ao nascimento de Carrie, sua mãe se autoflagela e é isso.
Qualquer boa intenção se perde diante de uma edição que torna tudo extremamente esquemático e da opção modernosa de tentar criar tensão ou terror com o simples aumento da trilha sonora. Os efeitos especiais atuais também não ajudam e criam cenas que, ao invés de aterrorizantes, são recebidas com risos constrangidos. O filme, aliás, é uma grande comédia de erros involuntária. Nem a cena do baile consegue criar algum clímax e dar algum sentido à produção.
Como tudo que é ruim pode ficar ainda pior, o elenco termina de cagar tudo. Apesar de boas atrizes, Chlöe Grace Moretz e Julianne Moore simplesmente não encontram o tom. A primeira parece extremamente caricata e sua interpretação é digna de protagonista da “Malhação”, passando léguas da atuação icônica de Sissy Spacek. Já Moore perde a chance de se transformar em uma grande vilã e entrega uma atuação apática que em nada lembra a fúria mostrada por Piper Laurie no filme original.
Não sei até que ponto o novo "Carrie, a Estranha" funciona para quem não conhece o original (provavelmente, não funciona também). Mas na comparação, o longa de 2013 vai para o saco de lixo junto com a continuação de 1999 e a versão televisiva de 2002. Fica a lição: leave Carrie alone!
Infelizmente, a refilmagem de Carrie, A Estranha faz parte da segunda categoria. A nova releitura hollywoodiana do filme lançando em 1976 é vergonhosa, constrangimento em forma de cinema. Se o longa original praticamente lançou as carreiras de Sissy Spacek e do diretor Brian De Palma e colocou as obras do escritor Stephen King na rota das adaptações cinematográficas, a produção de Kimberly Peirce passa batida e vira mais um terror genérico, desses que não deixa nenhuma marca.
Extremamente mal dirigido e sem nenhuma sutileza, o que de certa forma é surpreendente (Peirce tem no currículo o ótimo “Meninos não Choram”), a nova versão de Carrie, A Estranha é um filme sem tensão ou nenhum impacto. A história é a mesma: menina estranha sofre bullying no colégio e tudo termina em tragédia. Nenhuma das alterações propostas pela nova versão acrescenta muito à mitologia construída pelo original de 1976. Assistimos ao nascimento de Carrie, sua mãe se autoflagela e é isso.
Qualquer boa intenção se perde diante de uma edição que torna tudo extremamente esquemático e da opção modernosa de tentar criar tensão ou terror com o simples aumento da trilha sonora. Os efeitos especiais atuais também não ajudam e criam cenas que, ao invés de aterrorizantes, são recebidas com risos constrangidos. O filme, aliás, é uma grande comédia de erros involuntária. Nem a cena do baile consegue criar algum clímax e dar algum sentido à produção.
Como tudo que é ruim pode ficar ainda pior, o elenco termina de cagar tudo. Apesar de boas atrizes, Chlöe Grace Moretz e Julianne Moore simplesmente não encontram o tom. A primeira parece extremamente caricata e sua interpretação é digna de protagonista da “Malhação”, passando léguas da atuação icônica de Sissy Spacek. Já Moore perde a chance de se transformar em uma grande vilã e entrega uma atuação apática que em nada lembra a fúria mostrada por Piper Laurie no filme original.
Não sei até que ponto o novo "Carrie, a Estranha" funciona para quem não conhece o original (provavelmente, não funciona também). Mas na comparação, o longa de 2013 vai para o saco de lixo junto com a continuação de 1999 e a versão televisiva de 2002. Fica a lição: leave Carrie alone!
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Cinema: Pílulas
Capitão Phillips - Paul Greengrass não brinca em serviço e é responsável pelos filmes mais tensos dos anos 2000 (os dois melhores exemplares da franquia Bourne, "Voo United 93"). Capitão Phillips segue a fórmula estabelecida pelo próprio diretor, cheio de movimentos de câmara rápidos, cortes secos e uma linguagem que tenta emular a documental para criar tensão e mostrar urgência. O filme narra um episódio verídico envolvendo pirataria contemporânea em alto mar e um Tom Hanks em seu melhor papel em muito tempo. É graças à atuação do ator que o filme ganha um verniz mais emocional e humano e vai além de uma mera produção com toques de ação. O final é de partir o coração e saí do cinema querendo dar um abraço amigo no ator.
À procura do amor – Apesar de usar o ser humano como maior fonte de inspiração para suas histórias, é cada vez mais raro ver no cinema personagens que pareçam reais. As fórmulas e clichês propagados pela sétima arte nem sempre abrem espaço para a credibilidade, e o que vemos são personagens bidimensionais e maniqueístas criados como joguetes para que roteiros funcionem. Essa comédia romântica vai de encontro a essa proposta e deixa que seus personagens, reais e cativantes, prevaleçam e tomem conta da tela. Partindo de uma premissa bem interessante (como a percepção do outro acaba influenciando nossa própria percepção), a diretora Nicole Holofcener deixa que Julia Louis-Dreyfus e James Gandolfini (em seu último papel no cinema) engulam o roteiro e façam os olhos brilharem e o coração da plateia bater mais forte em um filme sensível e honesto.
Um estranho no lago – Há tempos um filme não me incomodava tanto. Levantando uma série de questões que permeiam o universo homossexual, o longa joga na cara do espectador temas como morte e amor próprio. Desnudando física e psicologicamente os personagens, o filme de Alain Guiraudie foca suas lentes nos corpos e atitudes de um grupo de homens que vai pegar sol e caçar sexo nas redondezas de um lago durante o verão. Ousada e forte, a produção é econômica (toda a trama se passa ao redor do lago), não oferece respostas e deixa um gosto amargo na boca do público.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Cinema: Blue Jasmine
Woody Allen sempre foi reconhecido por ser um grande
diretor de atores, seus filmes geralmente trazendo interpretações memoráveis e
chamando a atenção de prêmios para atuações específicas. Mas nunca um filme do
cineasta foi tão centrado em uma interpretação quanto Blue Jasmine, longa que
tem como alma uma Cate Blanchett ensandecida que rouba todas as atenções para si. Sem ela,
o novo trabalho de Allen perderia muito do charme e seria apenas mais um na
extensa filmografia do diretor.
Blanchett interpreta Jasmine, uma ex-ricaça que perdeu
tudo quando o marido (Alec Baldwin) é preso por sonegar impostos ou coisa
parecida. Com uma mão na frente e outra atrás, Jasmine se muda de Nova York
para São Francisco para morar com a irmã pobretona (Sally Hawkins). É a partir
daí que o filme centra o foco na dificuldade que Jasmine tem para se adaptar a
esse novo mundo.
O roteiro e o texto são certeiros, os diálogos são cheio
de farpas, e a edição acerta ao contrapor o atual estágio de Jasmine com cenas
da época em que ela vivia na riqueza. Mas, por mais que Allen esteja pisando em
terreno firme e acerte em suas escolhas, o filme é mesmo de Blanchett, que suga
tudo a sua volta e deixa pouco espaço para prestarmos atenção em outra coisa
além dela própria.
Atriz de primeira grandeza que estava perdida em
produções que pouca usavam seu talento (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de
Cristal”, “Robin Hood”, “Hanna” etc), Blanchett encontra em Jasmine o papel
perfeito para demonstrar versatilidade. Jasmine é quase uma caricatura de uma
mulher chique e elegante que sucumbe quando a vida foge ao seu controle.
Blanchett cria essa personagem com compaixão, de modo às vezes quase histriônico,
mas conseguindo causar empatia no público, coisa rara em se tratando de uma
figura que não mede esforços para ser detestável.
O resto do elenco está no lugar fazendo mais do mesmo (Baldwin,
Hawkins, Peter Sarsgaard, Bobby Cannavale), mas todos são engolidos pelo
furacão Cate Blanchett. O resultado da coisa toda é um filme divertido, um
tanto triste e melancólico. Pode não ser Allen no seu melhor (Match Point
ainda é o grande filme da nova safra do diretor), mas, diante do anterior “Para
Roma, Com Amor”, é um avanço e tanto. Grande parte da “culpa” reside nos
talentosos ombros de Blanchett.
O Turista – Por curiosidade mórbida, assisti ao O Turista esse fim de semana, equívoco estrelado por Johnny Depp e Angelina
Jolie em seus piores papéis em muito tempo. O filme é um grande erro. Não
existe direção, o roteiro foi escrito por algum estagiário e a química entre
Depp e Jolie é zero. Os cenários, as paisagens e as roupas de Jolie são
belíssimas, mas a ação é mal feita, não existe tensão, o clímax é uma piada e
chega a ser vergonhoso uma bomba desse porte ter sido indicada ao Globo de Ouro
de melhor filme, ator e atriz, ambos na categoria comédia, apesar de a produção
não ter um pingo de senso humor.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Música: Lady Gaga - Artpop
Vamos falar sobre Gaga, Lady Gaga? A verdade é que a moça
surgiu como um furacão lá em 2008 com o ótimo e divertido The Fame, um álbum cheio de hits descompromissados para se jogar na
pista e cantar junto. De lá pra cá, muito mudou. Gaga deixou de ser apenas mais
uma cantora pop na multidão para virar um dos nomes mais importantes da música atual.
A merda começou a subir na cabeça da artista, e sua música foi perdendo espaço para ela própria. Gaga caiu no erro (levando todos seus fãs juntos) de achar que era relevante demais, importante demais, superior demais, deixando de lado a irreverência gostosa e moleca do álbum de estreia para apostar em declarações polêmicas, performances exageradas e indumentária de gosto duvidoso. O resultado foi o lastimável Born This Way, um disco inchado e pretensioso que só causa bocejos e deixou claro que a artista está, às vezes, muito mais interessada no marketing que a cerca do que propriamente na música que faz.
Se ela aprendeu algo com o fracasso artístico de Born This Way (sim, o álbum pode ter vendido os tubos e ter ganhado todos esses prêmios comprados da indústria fonográfica, mas é um fracasso se comparado à repercussão positiva do primeiro), difícil dizer. Ela ainda fala um monte de merdas nada a ver, se veste de forma errada (Róisín Murphy, pra citar só uma, também exagera na indumentária, mas com muita mais propriedade do que Gaga) e faz performances gratuitas sem muita consistência (performance no espaço, really, Gaga?!), mas, pelo menos, Artpop mostra um pouco da diversão de outrora.
O terceiro e meio álbum (contando o The Fame Monster) da cantora/artista/performer/atriz é bem superior ao anterior e mostra um lampejo do que Gaga poderia ser se deixasse de lado a polêmica pela polêmica e se focasse mais em ser uma simples cantora pop. Não que Artpop seja perfeito. Longe disso. Em tempos de Kanye West e Justin Timberlake, é vergonhoso que uma artista do calibre de Gaga lance um álbum tão mal produzido e cheio de batidas genéricas dos infernos dignas de boate gay ruim. Artpop não tem um pingo de sofisticação, é bruto e mal acabado, quase amador.
Mas quem se importa? Não os fãs da cantora que louvam qualquer bobagem que ela fala ou faz. Mas ainda diante dessa produção pobre, o álbum tem seu lado divertido. Esqueça a batida drag queen do péssimo primeiro single (“Applause”) ou de “Swine” e concentre-se no que o álbum tem de bom: “Artpop” é a melhor, de longe a que mostra todo o potencial que a cantora costuma desperdiçar fingindo ser original; “Donatella” é ótima e cheia de frases perfeitas para se jogar na pista depois de um shot de tequila (“I am so fab/ Check out / I’m blonde/ I’m skinny/ I’m rich/ And I’m a little bit of a bitch”); “Dope” é aquela baladinha que não pode faltar em álbum de diva, mas é bem honesta, não se pode negar; “Fashion” e “G.U.Y" são faixas pop gostosinhas inofensivas; “Mary Jane Holland” é uma surpresa, cheia de personalidade).
Gaga tenta ser Christina Aguilera aqui (os gritos de "Do What U Want" são um tanto constrangedores), soa como uma cantora pop qualquer dos anos 1990 ali ("Manicure", "Gypsy"), mas o saldo é positivo, menos pretensioso e mais espontâneo. No frigir dos ovos, Artpop não apresenta nada de novo. O álbum não vai mudar a música pop muito menos o mundo (nem precisa, apesar da própria Gaga sempre insistir que quer deixar sua marca), mas é um trabalho que mostra uma artista a disposta a se divertir mais com seus erros. Fazendo a comparação com Born This Way, é quase uma evolução.
A merda começou a subir na cabeça da artista, e sua música foi perdendo espaço para ela própria. Gaga caiu no erro (levando todos seus fãs juntos) de achar que era relevante demais, importante demais, superior demais, deixando de lado a irreverência gostosa e moleca do álbum de estreia para apostar em declarações polêmicas, performances exageradas e indumentária de gosto duvidoso. O resultado foi o lastimável Born This Way, um disco inchado e pretensioso que só causa bocejos e deixou claro que a artista está, às vezes, muito mais interessada no marketing que a cerca do que propriamente na música que faz.
Se ela aprendeu algo com o fracasso artístico de Born This Way (sim, o álbum pode ter vendido os tubos e ter ganhado todos esses prêmios comprados da indústria fonográfica, mas é um fracasso se comparado à repercussão positiva do primeiro), difícil dizer. Ela ainda fala um monte de merdas nada a ver, se veste de forma errada (Róisín Murphy, pra citar só uma, também exagera na indumentária, mas com muita mais propriedade do que Gaga) e faz performances gratuitas sem muita consistência (performance no espaço, really, Gaga?!), mas, pelo menos, Artpop mostra um pouco da diversão de outrora.
O terceiro e meio álbum (contando o The Fame Monster) da cantora/artista/performer/atriz é bem superior ao anterior e mostra um lampejo do que Gaga poderia ser se deixasse de lado a polêmica pela polêmica e se focasse mais em ser uma simples cantora pop. Não que Artpop seja perfeito. Longe disso. Em tempos de Kanye West e Justin Timberlake, é vergonhoso que uma artista do calibre de Gaga lance um álbum tão mal produzido e cheio de batidas genéricas dos infernos dignas de boate gay ruim. Artpop não tem um pingo de sofisticação, é bruto e mal acabado, quase amador.
Mas quem se importa? Não os fãs da cantora que louvam qualquer bobagem que ela fala ou faz. Mas ainda diante dessa produção pobre, o álbum tem seu lado divertido. Esqueça a batida drag queen do péssimo primeiro single (“Applause”) ou de “Swine” e concentre-se no que o álbum tem de bom: “Artpop” é a melhor, de longe a que mostra todo o potencial que a cantora costuma desperdiçar fingindo ser original; “Donatella” é ótima e cheia de frases perfeitas para se jogar na pista depois de um shot de tequila (“I am so fab/ Check out / I’m blonde/ I’m skinny/ I’m rich/ And I’m a little bit of a bitch”); “Dope” é aquela baladinha que não pode faltar em álbum de diva, mas é bem honesta, não se pode negar; “Fashion” e “G.U.Y" são faixas pop gostosinhas inofensivas; “Mary Jane Holland” é uma surpresa, cheia de personalidade).
Gaga tenta ser Christina Aguilera aqui (os gritos de "Do What U Want" são um tanto constrangedores), soa como uma cantora pop qualquer dos anos 1990 ali ("Manicure", "Gypsy"), mas o saldo é positivo, menos pretensioso e mais espontâneo. No frigir dos ovos, Artpop não apresenta nada de novo. O álbum não vai mudar a música pop muito menos o mundo (nem precisa, apesar da própria Gaga sempre insistir que quer deixar sua marca), mas é um trabalho que mostra uma artista a disposta a se divertir mais com seus erros. Fazendo a comparação com Born This Way, é quase uma evolução.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Cinema: O Conselheiro do Crime
Ridley Scott não é qualquer diretor. O cara tem em seu
currículo filmes como “Alien, o Oitavo Passageiro”, “Blade Runner”, “Thelma
& Louise”, “Gladiador” e “Falcão Negro em Perigo”. Mas o rapaz também não é
infalível e já cometeu coisas como “Um Bom Ano”, “Até o Limite da Honra”, “Cruzada”
e por aí vai. Infelizmente, apesar da expectativa e dos nomes envolvidos, O Conselheiro do
Crime está mais para a leva de erros do que de acertos do cineasta.
Scott conseguiu reunir um elenco dos sonhos (Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Cameron Diaz, Penélope Cruz), chamou um escritor cheio de respaldo para estrear seu primeiro roteiro escrito diretamente para o cinema (Cormac McCarthy) e, ainda assim, cagou tudo. “O Conselheiro do Crime” é um arremedo de filme que nunca empolga ou começa realmente. Não sabemos o que raio os personagens estão fazendo ali, qual é a merda do plano que está sendo executado ou mesmo o que dá de errado.
Entre cenas e mais cenas que estão mais para esquetes desconexos do que para uma narrativa bem estruturada, acompanhamos um elenco tão perdido quanto o público que o acompanha. Fassbender, de longe, está em seu pior momento. Bardem nem estereotipado consegue ser. Penélope Cruz está apagadíssima da vidíssima, enquanto Brad Pitt pouco faz e Cameron Diaz posa de bitch para fingir poder. Nenhum dos personagens desperta o menor interesse. Nenhum dos atores consegue se salvar diante de um roteiro sem pé nem cabeça nem da direção qualquer nota de Ridley Scott.
Infelizmente, “O Conselheiro do Crime” não explora nem mesmo o lado de esteta audiovisual de Scott. A produção é a mais genérica possível, seja na edição, fotografia e tudo mais. A beleza da mesma se resume aos leopardos que passeiam em algumas cenas. E o choque se resume apenas a uma cena (totalmente gratuita) de Cameron Diaz transando com um carro e Brad Pitt sendo degolado. Muito pouco para um cineasta que já teve tanto a dizer por meio de imagens e sons. Mal para um elenco que já demonstrou ser capaz de muito mais. Pior ainda para o público que acompanha tudo com uma expressão de puro tédio.
Scott conseguiu reunir um elenco dos sonhos (Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Cameron Diaz, Penélope Cruz), chamou um escritor cheio de respaldo para estrear seu primeiro roteiro escrito diretamente para o cinema (Cormac McCarthy) e, ainda assim, cagou tudo. “O Conselheiro do Crime” é um arremedo de filme que nunca empolga ou começa realmente. Não sabemos o que raio os personagens estão fazendo ali, qual é a merda do plano que está sendo executado ou mesmo o que dá de errado.
Entre cenas e mais cenas que estão mais para esquetes desconexos do que para uma narrativa bem estruturada, acompanhamos um elenco tão perdido quanto o público que o acompanha. Fassbender, de longe, está em seu pior momento. Bardem nem estereotipado consegue ser. Penélope Cruz está apagadíssima da vidíssima, enquanto Brad Pitt pouco faz e Cameron Diaz posa de bitch para fingir poder. Nenhum dos personagens desperta o menor interesse. Nenhum dos atores consegue se salvar diante de um roteiro sem pé nem cabeça nem da direção qualquer nota de Ridley Scott.
Infelizmente, “O Conselheiro do Crime” não explora nem mesmo o lado de esteta audiovisual de Scott. A produção é a mais genérica possível, seja na edição, fotografia e tudo mais. A beleza da mesma se resume aos leopardos que passeiam em algumas cenas. E o choque se resume apenas a uma cena (totalmente gratuita) de Cameron Diaz transando com um carro e Brad Pitt sendo degolado. Muito pouco para um cineasta que já teve tanto a dizer por meio de imagens e sons. Mal para um elenco que já demonstrou ser capaz de muito mais. Pior ainda para o público que acompanha tudo com uma expressão de puro tédio.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Cinema: Pílulas
Os Suspeitos: O
novo trabalho de Denis Villeneuve (“Incêndios”) está longe de ser um filme
perfeito graças a um roteiro que constrói toda uma estrutura narrativa
desonesta para tentar fugir do maniqueísmo tão comum ao cinema comercial
hollywoodiano. De um lado, a produção erra ao se apoiar demais nesse roteiro
cheio de furos e reviravoltas milimetricamente calculadas, de outro, acerta
graças a direção firme e tensa que Villeneuve emprega ao longa, amparado pela
fotografia magistral de Roger Deakins e pelo elenco dos deuses liderado por
Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Villeneuve e o elenco sabem conduzir com louvor
os dilemas morais propostos pelo filme, empregando tensão e colocando o
espectador em uma posição desconfortável. Mas todo esse esforço se perde um
pouco diante desse roteiro amarradinho demais e propositalmente polêmico. De
qualquer forma, Jackman e Gyllenhaal se entregam de corpo e alma a seus
personagens e são os grandes responsáveis pela condução desse exercício de
tensão que ganha pontos ao tentar fugir (mesmo que, às vezes, sem sucesso) de
uma visão mais moralista.
Gravidade – “Gravidade” é o filme da vez, mas não é o melhor trabalho de Alfonso Cuarón, que fez longas mais complexos em “E Tua Mãe Também” e “Filhos da Esperança”. A maior qualidade desse novo trabalho do diretor é mesmo técnica, uma realização complicada que demonstra toda a capacidade visionária do diretor na tela grande. É um grande feito audiovisual que coloca todo seu peso na apreensão das imagens e dos sons que desfilam, muitas vezes sem cortes, diante dos olhos e ouvidos da plateia. Mas toda essa perfeição técnica, que resulta no melhor cinema que possamos esperar, não encontra mesma ressonância no roteiro, um fiapo de história que pisa muito forte no terreno do piegas e da redenção/superação. Nada contra. Mas, convenhamos, “Gravidade” pode ser um ótimo filme e entretenimento, mas está longe de ser um “2001, Uma Odisseia no Espaço”, produção a que ele é constantemente comparado. Mas essa é só minha opinião (sim, Sandra Bullock está muito bem, mas sua atuação de certa forma só reforça o pieguismo do filme; e George Clooney, charmoso e engraçadinho no espaço, não combina, ou pelo menos não deveria combinar, com a proposta do longa).
Gravidade – “Gravidade” é o filme da vez, mas não é o melhor trabalho de Alfonso Cuarón, que fez longas mais complexos em “E Tua Mãe Também” e “Filhos da Esperança”. A maior qualidade desse novo trabalho do diretor é mesmo técnica, uma realização complicada que demonstra toda a capacidade visionária do diretor na tela grande. É um grande feito audiovisual que coloca todo seu peso na apreensão das imagens e dos sons que desfilam, muitas vezes sem cortes, diante dos olhos e ouvidos da plateia. Mas toda essa perfeição técnica, que resulta no melhor cinema que possamos esperar, não encontra mesma ressonância no roteiro, um fiapo de história que pisa muito forte no terreno do piegas e da redenção/superação. Nada contra. Mas, convenhamos, “Gravidade” pode ser um ótimo filme e entretenimento, mas está longe de ser um “2001, Uma Odisseia no Espaço”, produção a que ele é constantemente comparado. Mas essa é só minha opinião (sim, Sandra Bullock está muito bem, mas sua atuação de certa forma só reforça o pieguismo do filme; e George Clooney, charmoso e engraçadinho no espaço, não combina, ou pelo menos não deveria combinar, com a proposta do longa).
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