terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O Primeiro que Disse



Cinema italiano não é para todo mundo. Quer dizer, pelo menos se for aquele cinema italiano clichezão, cheio de gente falando alto e ao mesmo tempo e explorando o esteriótipo do italiano barulhento, católico, apostólico, romano e preconceituoso. O Primeiro que Disse segue exatamente essa linhas, mas mesmo assim fui lá assistir. Provavelmente pela temática.

O filme narra a história de Tommaso, jovem bonito e bem sucedido que saiu do interior e foi estudar na capital. Em uma de suas idas à casa da família, Tommaso (interpretado pelo clone mais bonito do Domini, aquele rapaz que já ganhou um BBB) decide revelar que é gay. Mas antes o faz para o irmão mais velho. Ele só não esperava que o irmão roubasse sua ideia e revelasse sua homossexualidade aos pais em um jantar de negócios, deixando o rapaz sem muita opção a não ser mudar seus planos.

A partir dessa interessante premissa, O Primeiro que Disse lança um olhar sobre os preconceitos arraigados da típica e tradicional família italiana, mostrando-se um passatempo divertido, mas que não vai muito além. Culpa da direção de Ferzan Ozpetek, que nunca se decide se o filme vai ser um drama ou uma comédia.

A profusão de personagens e a tentativa do diretor de dar estofo a cada um deles também não ajudam, e "O Primeiro que Disse" acaba perdendo força ao apostar em histórias paralelas pouco interessantes e que nunca se desenvolvem (os flashbacks do passado, o suposto romance entre Tommaso e a filha doidinha do sócio da família, a tia destrambelhada, a vinda dos amigos de Tommaso à cidade e por aí vai...).

Entre uma pegada mais divertida e um tom por vezes melancólico, "O Primeiro que Disse" peca ao apostar em clichês gays (os amigos de Tommaso, por exemplo, não podiam ser mais caricatos) e héteros (o fato do patriarca ter uma amante e a matriarca saber até funciona para reforçar a hipocrisia da família, que não aceita a homossexualidade de Antonio, o irmão mais velho, mas não deixa de ser uma saída fácil).

"O Primeiro que Disse" é então uma comédia pastelão que fica na promessa. A gente ri, se diverte com algumas boas piadas e situações, mas fica aquela sensação de que o filme podia ser bem mais. Sensação agravada pela duração mais longa do que necessário (às vezes fica a impressão que Ozpetek não quer terminar o filme e fica criando novas situações) e pelo final que mistura presente e passado de modo totalmente sem sentido.

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